Postado dia 09/08/2014 às 13h02 - Atualizado em 15/09/2014 às 19h46

O Anjo da Humildade

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Esse foi o título sugerido por Dona Lucinha para o livro que escrevi narrando vida e obra do Padre Cláudio Jeremias Cadorin. Assim ela via e interpretava a forma de ser daquele grande admirador e devoto da Sagrada Família, fiel propagador das palavras de Cristo.

JESUS DISSE... Em suas homilias ele sempre enfatizava: Jesus disse: e aí discorria sobre o Evangelho daquele dia, de forma a incutir na mente de cada um a verdade clara e abrangente dos fatos ali contidos. Jesus disse: “Eu sou o caminho... Quem me segue não anda sozinho. Jesus disse: Quem tiver vida em mim, viverá para sempre – não há de ter fim. Assim Padre Cláudio ditava as palavras de fé – proclamando Jesus com Maria e José. Pela força divina ele perseverou – um arauto de Deus que na terra passou”. Esse texto entre aspas está até musicado, como um cântico em homenagem a este humilde servo de Cristo que não se cansava em decantar as glórias dos céus, procurando sempre a melhor forma de fazer entender as parábolas do mestre Jesus.

O MENINO CAIO. Assim ele era chamado em família. Nascido em Nova Trento, SC, no dia 23 de abril de 1931, desde pequeno Caio tinha afinidade com a igreja, chegando a se tornar membro da Cruzada Eucarística aos dez anos. 4º filho entre os 14 de Inez Gullini e Jordão Cadorin ele trouxe a graça de ser alegre, sorridente, dócil como um anjo, obediente e compreensivo. Aluno aplicado na escola primária e freqüentador das doutrinas religiosas, ele logo foi revelando sua vocação sacerdotal. Justamente ali onde nascera a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, com suas duas irmãs – Célia e Gertrudes – professando votos para a vida religiosa, a superiora do Juvenato São José, Madre Elmentrudes, o encaminhou para o Seminário Arquidiocesano, em Azambuja/Brusque.

PADRE CLÁUDIO CADORIN. Terminado o Seminário Menor, foi para São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, cursar filosofia e teologia. No dia 05 de dezembro de 1955 foi ordenado Sacerdote, na Matriz de São Virgílio – o primeiro acontecido em Nova Trento. Três dias depois, celebrou sua primeira missa solene na festa da Imaculada Conceição, na mesma igreja. Sua primeira atividade como padre foi ser professor no próprio Seminário de Azambuja, designado pelo Arcebispo Metropolitano D. Joaquim Domingues de Oliveira. Seu desempenho foi dos mais eficientes durante os 15 anos que ali esteve. Mas ele queria mesmo era pregar a palavra de Deus para todos os povos. Em 1970 fora nomeado Pároco de São João Batista, no vale do Rio Tijucas, onde permaneceu até 1976.

PADRE CLÁUDIO NA PENHA. A comunidade de Nossa Senhora da Penha nascera em 1825 com a construção da capela e passou sediar o Curato de São João Batista de Itapocorói e elevada à categoria de Paróquia pela Lei Provincial nº 109, de 23 de março de 1839. Pertenceu à jurisdição de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco e a partir de 1860 orientada pela Paróquia do SS. Sacramento, de Itajaí. Quando Penha passou a município em 1958, simultaneamente efetivou-se a Paróquia de Nossa Senhora da Penha pertencendo diretamente à Arquidiocese de Florianópolis. Com a chegada de Padre Cláudio em 1976 a Paróquia contava com a Matriz e as comunidades de São João Batista, em Armação; São Miguel, em Gravatá; Santa Lídia; Bom Jesus (Morro do Ouro), e Nossa Senhora Aparecida – sendo as duas últimas em fase de instalação. Com ele surgiram: São Nicolau, São Cristóvão; *Beato José de Anchieta, na Prainha de São Miguel e São Judas Tadeu, no Parque Beto Carrero.

O ILUMINADO. Embora cuidadoso e restaurador dos bens materiais da igreja, seus dons espirituais iam além. Tinha tanta afinidade com São José que chegava a impor diante da imagem quando necessitava de apoio... Atraía milhares de fieis de todas as partes em busca de sua santa bênção. Conforme os muitos e importantes depoimentos de pessoas civis e das próprias autoridades eclesiásticas seus dons de santidade são reiterados. As graças recebidas são tantas por sua intercessão – que algumas se comparam a milagres. Os detalhes se encontram no livro O Anjo da Humildade, edição 2001, reeditado em 2009.

MISSÃO EM JACOBINA. Depois de ter passado pelas Paróquias São Pio X, em Ilhota e São Judas, em Barreiros/São José, Padre Cláudio retorna em 1992 à Paróquia Nossa Senhora da Penha, feliz por reencontrar aquele povo que muito pedia a sua volta. Para ele não havia o impossível... Nem mesmo sérios problemas de saúde ou negócios. Conforme acordo firmado com a Diocese do Senhor do Bonfim/BA, a Arquidiocese de Florianópolis enviava periodicamente padres missionários para ajudar na evangelização naquela região. Padre Cláudio havia passado um mês por lá em 1981. Desta vez, em 1994, atendendo ao convite de Dom Euzébio Oscar Scheid, ele embarcou no dia 08 de junho para uma missão em Jacobina – a 300 km de Salvador. Pensando que ia ficar novamente um mês, sua temporada se estendeu por tempo indeterminado. Dom Jairo Rui Matos o nomeou Pároco de Jacobina, atendendo comunidades que distavam até 100 km da sede. Era convidado para tudo. O povo o adorava. Integrou-se à imprensa local - Rádio e Jornais à disposição, a Câmara municipal lhe conferiu nome de Rua na cidade. Queria retornar para sua Paróquia na Penha, mas já não via como. 63 anos e meio de idade. Saudade da sua gente. Em seu último telefonema no dia 23 de novembro, ele se demonstrava cansado, dizendo que ia fazer a festa da Padroeira no dia 08 de dezembro e aí sim encerrar ali a missão. Infelizmente, no dia 30 de novembro ele fora acometido de um mal súbito e levado para Salvador. Mas o acidente vascular cerebral acabou lhe tirando a vida. Seu corpo fora transladado para Nova Trento, onde está sepultado, na sua terra natal.

MEMÓRIA. Neste dia 23 de abril, dia do santo guerreiro São Jorge, Padre Cláudio faria 83 anos. E no dia 30 de novembro que vem fará 20 anos de sua morte. 20 anos que ele é lembrado e venerado. Muitas graças são recebidas por sua intercessão.

*No dia 27 de janeiro de 1981 Padre Cláudio celebrou a primeira missa na Capela do Bem-Aventurado Padre José de Anchieta, criada por ele na Prainha de São Miguel, Paróquia de Penha. Agora o Beato é São José de Anchieta, canonizado pelo Papa Francisco no dia 03 de abril de 2014. A capela então já tem 33 anos.

PRECE. Ó bondoso Padre Cláudio, que pela força da tua fé e o poder das tuas mãos concedesse tanta graça a todos que a ti recorreram, faça que o mal que me aflige seja afastado. Concede-me saúde plena e força para vencer as dificuldades que venho atravessando. Peço em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.