Postado dia 23/05/2014 às 16h41 - Atualizado em 15/09/2014 às 19h46

Efeito Sherazade

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Quem assistiu noticiários divulgando mortes por linchamentos, provavelmente, teve uma das duas reações: dó ou satisfação. Mas uma coisa é certa, esses acontecimentos tornaram-se mais corriqueiros após os comentários da apresentadora Raquel Sheherazade do SBT. A moça defendeu abertamente a justiça com as próprias mãos. O que acontecia na clandestinidade passou a ocorrer com divulgação de fotos e vídeos feita pelos próprios agressores. É como se os agressores dissessem: - “Estamos tão corretos que vamos filmar e divulgar para servir de lição!”


A palavra linchamento tem origem exatamente no que a Sheherazade prega. No condado de Pittsylvania, Virgínia/EUA, existiu um capitão chamado William Lynch que, em 1870, organizava multidões para espancar aqueles que eram contra a Independência Americana. A “Lei de Lynch” ficou muito conhecida, em especial, quando os espancamentos passaram a ser direcionadas às populações indígenas do Oeste e contra as populações negras do Sul dos EUA. Eram os chamados “Comitês de Vigilância” (futura Klu Klux Klan) que rezavam a cartilha Lynch. Entretanto, Lynch deu origem à palavra linchamento. Nos EUA os linchamentos eram usados, de início, principalmente contra os defensores dos Direitos Civis. Ou seja, sua origem é para defender um grupo contra outros. Por volta de 1880 passou a atingir em peso grupos mais pobres, como: índios, negros, judeus e imigrantes asiáticos.


Aqui no Brasil não foi e ainda não é muito diferente. Quem morre nas mãos de “justiceiros” são pessoas pobres e, em muitos casos, com deficiências mentais. Os “justiceiros” não lincham pessoas ricas como o Thor Batista. O alvo é exatamente grupos que, no imaginário popular, devem ser eliminados. É uma coisa muito louca... De origem extremamente conservadora, os que defendem linchamentos não refletem sobre a própria desigualdade que produzem e, muito menos, nos preconceitos que têm dentro de si mesmo.