Postado dia 04/09/2014 às 19h49 - Atualizado em 15/09/2014 às 19h46

Macaco é macaco; aranha é aranha; e racismo é crime

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Na última semana, o goleiro Aranha, jogador do Santos FC, reclamou de agressões verbais e simbólicas vindas da arquibancada de onde se concentrava a torcida “Geral do Grêmio”. Logo, o árbitro deu uma bronca no goleiro por provocar a torcida gremista, culpando a vítima e relativizando a atitude dos agressores.

Apesar de parte da torcida gremista, há décadas, insultar o povo preto e pardo do nosso país, somente agora o STJD resolveu agir da maneira correta ao eliminar o clube da Copa do Brasil. Infelizmente, o torcedor só aprende quando o clube (sua maior paixão) é punido. Contudo, esses últimos episódios que parte da torcida do Grêmio protagonizou deram a impressão de que somente o clube tricolor gaúcho possui torcedores racistas. Todas as equipes do futebol brasileiro possuem torcedores racistas porque boa parte da sociedade é racista. Da mesma maneira, todos os clubes possuem torcedores que não toleram o racismo.

Outra questão importante é a que a torcida do Inter é o principal alvo das injúrias raciais. No passado, a maioria dos clubes brasileiros era racista. Times como Flamengo, Fluminense, Palmeiras e Coritiba só aceitavam pessoas de origem europeia. No Rio Grande do Sul, o Grêmio também não admitia negros. Então, para dar acesso às pessoas de outras origens étnicas, em 1909, na cidade de Porto Alegre, dois irmãos chamados José Henrique Poppe Leão e Luiz Madeira Poppe, resolveram fundar um clube. O nome escolhido foi Internacional para mostrar que qualquer pessoa do mundo poderia frequentar o clube. O Inter nasceu voltado para inclusão. Por isso, a torcida gremista depreciava os colorados os chamando de macacos. Entretanto, hoje o Inter tem como mascote (além do Saci) um macaco chamado “Escurinho”. Um dos ídolos negros da torcida do Inter, “Escurinho” jogou no colorado entre os anos 1970 a 1977 e atualmente é lembrado pelo clube por um macaco. Os que denunciavam os gremistas por racismo assumiram a injúria racial como algo normal.