Postado dia 24/04/2014 às 17h54 - Atualizado em 15/09/2014 às 19h46

Não criemos Cânico

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No último domingo (20/04) colaram cartazes de Hitler em alguns postes de Itajaí. Com a frase “Heróis não morrem. Parabéns Führer” o ato é assinado pela suposta entidade “White Front” (Frente Branca). Claro que qualquer apologia nazista causa espanto na maioria das pessoas, mas a homenagem a Hitler, ao que parece, foi “tirada” por brincadeiras (de bom conhecimento histórico, por sinal).


Não demorou muito para colarem, nos mesmos postes, cartazes do líder socialista soviético Josef Stálin socando a “fuça” de Hitler. Achei sensacional a ideia. Contudo, para minha surpresa, dia seguinte da colagem dos cartazes de Stálin batendo em Hitler, apareceram cartazes do Chapolin Colorado.


Achei incrível a alusão ao “Polegar Vermelho” satirizando os dois ditadores. Na real, a personagem criada pelo Roberto Gómez Bolaños é uma sátira aos super-heróis norte-americanos no auge da Guerra Fria. Chapolin é um herói desastrado, sem dinheiro, latino americano da década de 70 que não aceita heróis importados defendendo as pessoas. Tanto é que a personagem “Super San”, interpretado por Ramón Valdés (o eterno Seu Madruga) tenta “ajudar” as pessoas, mas nunca consegue. “Super San” tem as cores da bandeira dos EUA, enquanto Chapolin encarnava o vermelho típico de uma América Latina em busca de heróis. Como bem disse Bolaños: - “Chapolin não tem as propriedades extraordinárias dos super-heróis: é tonto, desastrado e medroso. Mas também é um herói porque supera o medo e enfrenta os problemas e é aí que estão o heroísmo e a humanidade”. O seriado mexicano estreou no ano em que o México sediou uma Copa do Mundo (1970) justamente para dizer que a América Latina não precisava de heróis imperialistas.


Por isso, ao ver cartazes do Chapolin tranquilizando “os desesperados”, lembrei-me bastante de suas artimanhas com uso de pastilhas encolhedoras, corneta paralisadora, anteninhas de vinil e sua marreta biônica defendendo os oprimidos.