Postado dia 02/07/2014 às 18h23 - Atualizado em 15/09/2014 às 19h46

Quando a elite foi à arquibancada

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Antes de a Copa começar já havia fortes comentários sobre o legado que um evento internacional poderia deixar ao país. Uns concordavam com os investimentos para a Copa, outros não. Mas, talvez, a mais surpreendente evidência que essa copa nos pode deixar é a constatação de como essa elite, que passou a assistir nos estádios aos jogos do Brasil, é boçal e ignorante. Antes da Copa, os ricos estavam em seus camarotes. É uma ostentação estar num lugar onde poucos estão. Não só por estarem longe daqueles que se tem nojo, mas também pelo sentimento que a exclusividade de acesso dá. Por conta desses ingressos caríssimos, agora a elite está na arquibancada, onde antes estava o povão. Estão na arquibancada porque os ingressos são caros demais para o pobre estar, só isso. Se os ingressos fossem baratos, não iriam aos jogos para não se misturar com quem consideram gentalhas. Essa turminha lembra a Dona Florinda aconselhando o Kiko.


Com isso, através de uma cobertura fantástica da mídia internacional, os ricos brasileiros que assistem ao vivo aos jogos se expõem ao ridículo ao mostrarem quem realmente são. Nos estádios a caridade que fazem fora deles através de distribuição de sopa ou doação de roupas usadas, é desmentida por vaias à presidenta e ao hino do Chile. Eles pensam que estão agradando e fazendo algo lindo perante a comunidade internacional. Enfim, pensam que estão agradando! Não estão! Mas o que mostram através de condutas duvidosas é que são tão preconceituosos com a maioria do povo brasileiro e estrangeiros quanto os espanhóis são com brasileiros de origem africana.


Aliás, essa elite feliz por não ter pobres suados torcendo ao seu lado condena veemente a Lei de Cotas sem se dar conta que seus familiares, no passado, receberam cotas em nosso país.
Erro grave da FIFA e do Governo Federal foi não evitar que somente os que possuem mais de R$ 1.000,00 para dar num ingresso para assistir nos estádios os jogos do Brasil pudessem representar o país dessa maneira tão grosseira.