Postado dia 19/06/2014 às 18h54 - Atualizado em 15/09/2014 às 19h46

Quando você dançava quadrilha

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Ah! O tempo das quadrilhas... Que coisa boa era participar de uma boa festa junina onde as apresentações das quadrilhas eram sempre o auge da festa. Sinto saudades, como muitos também sentem, da dança que se originou na Holanda e que teve fortíssimas influências de portugueses e açorianos... Entretanto, foi na França, durante o século 18, que as quadrilhas mais fizeram sucesso, recebendo o nome de Neitherse...


Mas se engana que as quadrilhas eram compostas por dançarinos que se vestiam com roupas remendadas e usavam chapéus de palha. Pelo contrário, quem dançava quadrilha eram a burguesia e a aristocracia. Homens e mulheres usavam vestes luxuosas, lenços e leques. Essa dança original recebeu o nome de “quadrilha de salão”, chegando ao Brasil no início do século 19 com a Corte Portuguesa.


Logo, a quadrilha saiu dos palácios e caiu no gosto do povão... Para o homem e a mulher simples, imitar os costumes da Corte era ter uma noite, dependendo da personagem da quadrilha, de nobre! A “quadrilha de salão” tem várias personagens, como: viúvos, noivos, florista/floricultor, sinhozinhos, xodó, sinhá moça, padre, rei, príncipes, marcador, puxador e narrador.


No Rio de Janeiro, Minas Gerais e Nordeste ainda faz muito sucesso esse tipo de quadrilha. Mas se a quadrilha original era uma dança dos salões da nobreza, qual o motivo da quadrilha que conhecemos ser a “caipira”? A maioria dos cientistas sociais concordam que a expansão urbana contribuiu muito para isso! No início do século 19 estava “na moda” o Evolucionismo... Foi nesse sentido que quem era da cidade zombava de quem era do campo...


Já perceberam que as quadrilhas caipiras mostram o povo do interior da maneira mais grosseira possível? Os dançarinos, ao contrário dos originais, usam roupas rasgadas ou remendadas, fazem caras e bocas, usam maquiagens caricatas e tudo, absolutamente, tudo dá errado! Até o padre é bêbado! Com o sertanejo na moda atualmente e o crescimento econômico do interior, não dá mais pra imaginar o povo do interior dessa maneira, né?