Postado dia 21/06/2014 às 18h44 - Atualizado em 15/09/2014 às 19h46

Copa do Mundo descontrói na prática inverdades politiqueiras

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“Uma mentira repetida mil vezes se tornará uma verdade”, filosofou o secretário de propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels, sobre a política de comunicação do reich. Goebbels parece mais em voga do que nunca ao estudarmos a grande mídia brasileira. Veja o caso da Copa do Mundo, por exemplo: A revista Veja garantiu que os estádios não ficariam prontos até 2038. O jornal Folha de São Paulo falou em caos aéreo, que não ia ter hotel, que não ia ter táxi. Falaram de estádios superfaturados, que a Copa ia custar mais de 60 bilhões de reais. Pra alimentar tudo isso, soma-se a militância partidária atuando nas redes sociais, que inspirados no “jornalismo” irresponsável dos grandes meios de comunicação, aumenta o conto um pouco mais, inflando valores, inventando fatos e notícias.


Chegado a Copa do Mundo, nada disso se verificou. Em primeiro lugar, estavam previstos para a realização da Copa do Mundo gastos na casa de 32 bilhões, sendo que deste valor 10,5 bilhões seriam realmente com a Copa, já que o restante se daria na ampliação de aeroportos, estradas, sistema ferroviário e metroviário, obras que vão muito além de um legado desportivo para a sociedade. Quanto aos estádios, a maior parte do valor investido foram empréstimos do BNDS, Banco Nacional do Desenvolvimento, que há mais de 40 anos empresta dinheiro para empresas, prefeituras, estados e entidades como os clubes desportivos. E, como todo empréstimo, terão que ser pagos com juros.


Valeu a pena? Em primeiro lugar, a Copa está gerando 183 bilhões de reais circulando na economia brasileira, principalmente no setor de serviços. O sistema de transporte, hotelaria, gastronomia, lazer, nunca lucraram tanto. Os impostos indiretos disso atingirão mais de 18 bilhões de reais. Perto da geração de emprego e renda para milhares de brasileiros que foram beneficiados diretamente com as obras da Copa, a isenção de impostos à Fifa foi um bom negócio, da mesma forma que Africa do Sul e Alemanha deram a mesma isenção, assim como nossas prefeituras da região e o governo estadual dão isenção para que empresas e eventos venham aqui se instalar.


Já o valor do evento, é relativamente modesto, já que para as Olimpíadas de Londres, realizada há dois anos atrás, foram gastos 33 bilhões de reais, em evento localizado numa só cidade. Todas essas informações são de fácil pesquisa do leitor interessado que simplesmente acessar o Google, ferramenta simples de pesquisa na internet. Pelo mesmo Google, o leitor pode saber que o orçamento para a educação este ano será de 42 bilhões de reais, e o da saúde 85 bilhões, correspondendo a média dos demais anos. Ou seja, não existe mais dinheiro pra copa do que pra saúde e educação. Isso é outra mentira dita sem pensar nem pesquisar pelos partidários de facebook. Se não existisse dinheiro pra educação, quem pagaria pelas quadras cobertas que estão sendo construídas em Penha e Piçarras? 60% do salário dos professores de Penha e Piçarras sai do FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento de Ensino Básico) que é mensalmente mandado para as prefeituras e governos estaduais de todo país. Da mesma forma, o SUS paga salários de médicos em todo país, e o governo federal é quem paga os salários dos profissionais do programa Mais Médicos e do PSF (Programa Saúde da Família), do qual fazem parte médicos, enfermeiras e assistentes de enfermagem, ambos atuando nas nossas cidades.


Hoje o Brasil tem 99,7% das crianças com idade entre 6 e 12 anos na escola. É a quase universalização do ensino. Por que isso não é divulgado pelos meios de comunicação? Por que não é uma conquista espetacular, foi algo conseguido aos poucos, onde cada governo, desde a época de FHC, vem fazendo sua parte? Dizer que não tem dinheiro para saúde e educação não é só maldade, como ignorância. Se há um problema não é dinheiro, e sim desperdício, incompetência e corrupção. Afinal a saúde e a educação não são de responsabilidade apenas do governo federal, mas também de cada prefeito e cada governador. Na educação, inclusive, as responsabilidades estão bastante claras: o ensino fundamental fica a cargo dos municípios, o ensino médio com os governos estaduais, e as universidades e ensino técnico profissionalizante com o governo federal. E as universidades federais não são exemplos de excelência as quais todo mundo quer seus filhos lá matriculados? E o Pronatec, que tem inclusive cursos nas nossas cidades, não forma dezenas de profissionais todo ano?


Onde estaria o problema senão na qualidade deficitária do ensino médio e fundamental, onde crianças chegam ao segundo grau sem saber ler? Prefeitos e governadores criam expedientes como da aprovação automática para fazerem proselitismo e fingirem que tudo está bem, afinal todas as crianças estão “passando de ano”, mas ensinar, se ensina cada vez menos. Tivemos duas greves de professores em Santa Catarina, cujo governo estadual além de recusar a pagar o piso mínimo do professor, que é lei de iniciativa do governo Lula, pretende colocar 40 crianças em cada sala de aula, quando o mínimo recomendado pela ONU é de 20, e a prática no Brasil vem sendo de 30. Da mesma forma tivemos uma greve ano passado aqui em Santa Catarina dos profissionais da saúde estadual.


E o cidadão cobra mais saúde e educação do governo estadual, do governo municipal? Não, graças a essa mesma mídia de caráter neonazista, é como se vivêssemos numa monarquia, onde tudo depende e é de responsabilidade do governo federal. Sem estados nem municípios, e sem mais dois poderes, o legislativo e o judiciário, o qual também ganham seus altos salários sem ter o mesmo nível de cobrança da sociedade. Mas como dizia um sábio há dois mil anos atrás, “conheceis a verdade e ela te libertará”. Por mais que a mentira seja repetida mil vezes tentando virar verdade.