Postado dia 04/10/2014 às 11h04 - Atualizado em 04/10/2014 às 11h08

Momento de Decisão

Domingo é dia de eleições. Novamente o povo vai escolher, para o mandato de mais quatro anos, seus deputados, senadores, governadores e presidente da república. Muitos clichês já foram falados sobre o assunto, sobre a importância de votar consciente, de estudar a proposta dos candidatos, de analisar o passado dos candidatos, enfim, o leitor já conhece muito bem estes conselhos. No entanto, essas são frases de efeito vazias: pois basearmos nossa escolha no que promete um candidato e no seu suposto passado (que pode ter sido muito bem protegido pela mídia) é algo tão eficiente quanto o que sabia o povo que mandou crucificar Jesus e soltar Barrabás.

Em primeiro lugar, o cidadão tem que saber exatamente para que está elegendo cada candidato. E pesquisas revelam que a maioria da população não sabe sequer qual a diferença de função entre deputado estadual, federal e senador. Não a toa há muitos candidatos prometendo coisas que não podem cumprir, pois não é da alçada do cargo que almejam. Daí o eleitor, encantado com essa promessa, com a qual concorda, vai atrás e dá seu voto. Tem candidata a presidente até prometendo mudar e criar leis, o que é atribuição do congresso, ou seja, de deputados e senadores!

Quando falamos em votar consciente, não é votar neste ou naquele candidato. As pessoas podem votar em candidatos diferentes, e ambas votarem com consciência. Votar com consciência é saber porque está votando, no que está votando. No mundo real, a vida é muito mais complexa do que os heróis contra os vilões que vemos em filmes e novelas. As pessoas podem divergir no que é melhor para a sociedade, o melhor a ser feito, e razão esta que há diferentes propostas e partidos políticos. A nossa função, enquanto eleitores, é dar nossa opinião, através do voto, de como as coisas devem ser conduzidas, o que deve ser feito.

Por isso realmente conhecer as propostas dos candidatos é muito importante, mas também ter idéia se tal candidato tem realmente disposição para cumpri-las. Se determinado candidato vive mudando de idéia, vive voltando atrás, acreditamos que isso é mau sinal, pois quem traiu a palavra dada e a confiança depositada pelo eleitor uma vez, tem muito mais tendência de fazer isso de novo, com certeza. Muitos eleitores votam na “pessoa”, o que é equivocado: deveríamos votar nas idéias.

Vejam o exemplo: você votaria num candidato que bebe, fuma, é gordo, grosseiro, e até meio calvo ou num candidato que foi herói de guerra, é vegetariano, adora cães, não bebe e não fuma? Se você escolheu a segunda opção, parabéns, você acabou de votar em Adolf Hitler, e não votaria em Winston Churchill, primeiro ministro da Inglaterra que enfrentou o nazismo e um dos maiores políticos de todos os tempos.

Votar nas pessoas pode ser uma grande cilada quando resumimos nossa decisão em opiniões sobre simpatia, aparência, gostos e preferências religiosas. As vezes aquele chefe carrancudo pode ser muito mais competente do que o demagogo sorridente, como muitas vezes descobrimos na pele em algumas empresas. Temos que votar nas idéias que os candidatos defendem, e principalmente ficar alertas para aqueles candidatos de idéias vagas, que usam retóricas vagas pra falar bonito, mas de concreto não trazem proposta nenhuma. Falar e apontar o que está errado é muito fácil, qualquer um de nós pode fazer. Agora apontar solução, isso sim é o que importa.

Vamos votar sabendo que deputado estadual é quem fiscaliza o executivo e faz leis no nosso estado, deputado federal é quem fiscaliza o executivo e faz leis em nível federal, senador é a segunda casa que faz a mesma coisa que o deputado federal, governador é quem governa nosso estado (ou seja administra as escolas estaduais, rodovias estaduais, sistema de saúde estadual e cuida da segurança pública) e presidente quem administra nosso país. Cada um com suas responsabilidades e funções, determinadas em leis.

Nosso país é governado por um grande conjunto de pessoas, por isso cada voto é importante. Não existe salvador da pátria que sozinho fará um país perfeito. A solução, como sempre, é compartilhada, entre políticos e cidadãos, cada um tomando as melhores decisões, sabendo muito bem o que está fazendo.