Postado dia 10/05/2014 às 17h13 - Atualizado em 15/09/2014 às 19h46

Tribunal de Facebook

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O linchamento de uma mulher inocente, mãe de dois filhos, por moradores de uma comunidade do Guarujá, em São Paulo, vem colocar mais lenha na fogueira sobre duas polêmicas urgentes que merecem a atenção do brasileiro: a falta de veracidade nas “notícias” compartilhadas nas redes sociais da internet e o perigo que a “justiça pelas próprias mãos” feitas por cidadãos pode significar.


Um desocupado por algum motivo sinistro publicou em página do facebook que a vítima era a mulher de um retrato falado suspeita de estar sequestrando crianças para “rituais de magia negra”. Seguindo os conselhos de Rachael Sherazade, Marcelo Resende, José Luiz Datena e outros profetas do caos que pregam a justiça pelas próprias mãos na TV, os moradores não tiveram dúvida e lincharam a pobre mulher que em nenhum momento era investigada ou considerada suspeita pelas forças policiais. Nem o próprio crime existia.


Se nosso sistema jurídico e nossa polícia erram, o que dizer do cidadão comum, sem fazer uma investigação, sem saber dos acontecimentos, se basear num meio de comunicação duvidoso como o facebook? O autor de tão calamitoso boato deveria ser feito de exemplo, pois este é o verdadeiro assassino. Já passou da hora de darmos um basta a esses assassinos de reputação, pagos ou gratuitos, que proliferam na internet.


Ainda mais em ano de eleição, é gritante a imaginação dos internautas em criar e distribuir informações falsas, se aproveitando da ignorância da maioria dos navegantes comuns, que não tem hábito de ler jornais, não conhecem as leis brasileiras, ou sua estrutura jurídica, política e policial. De fato, a maioria das pessoas realmente informadas não cai tão fácil em ‘contos do vigário”. Mas infelizmente esse não é o perfil da maioria dos usuários da internet, que tiveram acesso a tecnologia antes de ter acesso a educação, a ética e ao caráter, pelo visto.