Postado dia 28/07/2009 às 00h00 - Atualizado em 15/09/2014 às 18h53

Casar nem pensar, o negócio é fugir

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Quem for a Penha, principalmente no Bairro de Armação e perguntar as pessoas como se casavam, a grande maioria vai responder: Nós fugimos. Pois é a prática da fuga para as uniões em Penha é uma das permanências da História.



Até hoje ainda existem casais que se utilizam desta prática para consumarem sua união e formarem novas famílias.



O que antecede um casamento e sua cerimônia sagrada faz parte de um ritual que é permeado principalmente pelo medo e pela espera. A espera do noivo pela noiva, a ansiedade de convidados e convidadas, tudo em volta e um nervosismo que ocupa as mentes das pessoas que pretendem se unir.



Quando percebemos a fuga como forma de uma união a dois, podemos tratá-la também como um ritual, onde se podem notar muitas semelhanças entre as situações do casamento e os preparativos da fuga.



Nas fugas, como constatá-se através das falas das pessoas entrevistadas, que há toda uma preparação. Caminhos são pensados, estratégias são traçadas, tramas são feitas.



No casamento habitual o noivo espera pela noiva. Nas fugas, o namorado espera pela namorada, é claro que escondido, muito escondido, para receber a namorada e ambos baterem as pernas.



Aqui se constata o que analisa a historiadora Maria Joana Pedro: ... é preciso antes de tudo perceber também personagens vivendo papéis trocados. Mulheres e homens que, apesar do sexo biológico, viveram em muitas ocasiões papéis trocados.



Mas isso não era assim fácil, às vezes havia pressão, o namorado(a), pressionava para que se fizesse a fuga. Se não for hoje não vai ser mais, ele falou (diziam as enamoradas).



As mulheres nas fugas eram as mais pressionadas, por isso faziam reflexões, às vezes tentavam adiar, mas na maioria dos casos cediam as pressões, e faziam as chamadas fugas da felicidade