Postado dia 08/06/2009 às 00h00 - Atualizado em 15/09/2014 às 18h53

Chegou o tempo da tainha

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Chegou o friozinho e com ele o tempo da tainha. Pescadores ficam as espreitas, de olho no mar e torcendo para que um cardume apareça para a canoa lançar e a rede atirar.

Na praia, pescadores ficam as conversas de tocaia a esperar e é neste cotidiano que se vai construindo uma rede que não é a de pescar, sim a da convivência onde pessoas trocam conhecimentos que vão além das histórias do mar.

E outra rede vai se tecendo que é a da cultura popular, que pode não ser erudita, mas tem uma riqueza que muitas vezes não pode se comprar.

A globalização pode chegar e a modernidade bombar, mas nada como uma rodada de tainhas feitas na mais pura culinária popular. Pode ser assada, recheada, frita ou feita no feijão, na folha da bananeira, e ainda tem o caldo que também é uma baita tradição. Mas o bom mesmo é a reunião.

É a dupla jornada da tainha, que reúne familiares e amigos para um bom prato saborear e mais uma vez a teia da cultura popular vai se construindo e se modelando ao mais puro paladar. É o cheiro da tainha que fica no ar.

É a cultura de um povo, que vai mostrando o quanto somos plurais e diferentes e como as pessoas ainda são admiradoras uma das outras.

Mostra-nos também que se é possível viver na coletividade e da coletividade. Nesta época a solidariedade fica amostra e a tainha muitas vezes só chega à mesa porque um amigo trouxe para um agrado. Quem recebe fica feliz, quem doa também.

O Pescado ainda deixa mais gente feliz, por que pode ser fonte de renda. São centenas de pessoas que dela sobrevivem neste tempo. Gera uma fartura na mesa, que pode ter frutos que não são apenas o do mar.

Pois é, nas ruas não se fala outra coisa, e uma pergunta já se torna peculiar, Já comeu tainha esse ano? E você, já comeu tainha hoje?