Postado dia 19/05/2009 às 00h00 - Atualizado em 15/09/2014 às 18h53

...PERGUNTE AO CRIADOR QUEM PINTOU ESSA AQUARELA...

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Por Carlos Rodrigo Martins Dias



Em 1888, 13 de maio, foi assinada a Lei Áurea, acabando oficialmente com a terrível escravidão imposta, pelos portugueses, aos africanos. Mas o que acontecia no Brasil naquela época para que a realeza portuguesa acabasse com o lucrativo trabalho escravo? Será que a Princesa Isabel acordou boazinha e teve um ato de caridade?
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Para compreender melhor o 13 de maio, precisamos pensar o que acontecia naquela época no Brasil. Havia dois grandes movimentos que abalavam as estruturas do Império Brasileiro, o abolicionista e o quilombola. O movimento abolicionista era composto por negros livres e brancos republicanos, na maioria. Já os quilombos existiam há mais de dois séculos com negros, índios e alguns brancos foragidos, criando novos Brasis em nosso solo. A pressão social era enorme contra a escravidão. Além disso, comprar um escravo não estava nada barato, visto que, a Inglaterra proibira o tráfico negreiro em 1950.
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O maior problema da questão do13 de maio é considerar o fim da escravidão somente pela bondade e iniciativa da Princesa Isabel, conhecida também por meiga mãe dos cativos. Sabemos que a princesa entrou no Movimento Abolicionista nos últimos meses da escravidão africana no Brasil e, além de apoiar abertamente o Quilombo do Leblon, refugiou mais de mil escravos nos palácios e arredores. Contudo, reduzir a conquista da liberdade por uma ação da princesa é negar todos aqueles que lutaram e morreram pelo fim do trabalho escravo. Ela teve posição corajosa, porém, política, percebendo-se obrigada a libertar os negros, que fugiam em massa das fazendas, espancavam com golpes de capoeira os opressores e simplesmente se recusavam a trabalhar. A abolição foi feita pelo próprio negro! Os fazendeiros, falidos ou quase, já esperavam esse desfecho, tanto é que incentivaram a vinda dos imigrantes alemães e italianos para o Brasil.
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Lamentável, assim como a própria escravidão, é que os negros foram libertos e a princesa não lhes garantiu indenizações, terras e acesso à saúde e educação. Isso nos faz lembrar o trecho de um samba da Mangueira, na doce voz do memorável Jamelão, que diz assim: ... Livre do açoite da senzala / Preso na miséria da favela...
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