Postado dia 13/04/2009 às 00h00 - Atualizado em 15/09/2014 às 18h53

A Farra do Mané

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Sorrateiramente o Mané foi pro quarto, abriu o guarda-trapos e escolheu um traje específico para a sua próxima aventura. Pegou uma camisa surrada pelo tempo, uma calça que a Dica já tinha ensacado prá dar para os pobres, não esqueceu do chinelo de dedo, do chapéu e então pulou a janela. Lá se foi ele se arrumando pelo caminho. Com pressa, esqueceu a carteira. Mas para que voltar se ela estava vazia mesmo.



Chegou cedo no lugar marcado. Eram seis e meia da tarde. Esperou até as sete pelo seu fiel amigo Tonho Beterraba. Lá foram os dois faceiros da vida, rumo ao Gravatá, de carona é claro. No caminho a dupla se mostrava eufórica. Ansiosos não paravam de cuspir a amarga saliva. Era um palheiro atrás do outro. O Mané até lambia o bigode de rasga fronha, pensando no ki-suco made in Luís Alves.



Não demorou em chegarem ao destino. E lá estava uma multidão à beira da estrada. Muita falaria. A noite já tinha caído e todos esperavam ansiosos pelo primeiro grito de: lá vem o boi. Mas nada acontecia. Mesmo sabendo que a farra é proibida, lá estava o Mané com seu fiel escudeiro. Nervoso, pensava o nosso herói: Há essa hora a Dica, ou melhor, a Dona Encrenca já chegou da reza. Já me procurou e não me topou. Já deve di tá rezando um responso.



Duas horas depois de tanta espera eis um grito. Lá vem, lá vem. Eles estão chegando. A correria foi total. O Mané com as pernas bambas de tanto medo trepou numa goiabeira. O Tonho Beterraba levou no peito uma cerca de arame farpado e foi parar na beira do rio. Mas o alarme era falso. A polícia assistia de camarote o vaivém dos farristas. Mas nada de boi.



Lá pelas tantas, já quase meia noite os dois decidem voltar para o aconchego dos seus lares. Pé por pé o Mané entra em casa. Fazendo o mínimo de barulho ele tira o traje de guerra e quando vai se deitar a Dona Encrenca que fingia estar dormindo, levanta da cama com um chicote em punho e começa a gritar: É o boi, é o boi... O Mané sai em disparada e resmunga: Fui até o Gravatá prá brincar com boi, mas esqueci que tenho em casa uma Vaca Louca. Sai bicho. Sai bicho. Ai, ai, ai muié. Tú num sabes que a brincadeira de boi é proibida. Tás tola é. Olha qui eu chamo os poliça?.