Postado dia 26/04/2009 às 00h00 - Atualizado em 15/09/2014 às 18h53

A pascoa do Mané

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'erguntei ao Mané como seria a sua Páscoa. E ele prontamente me respondeu: Olha meu filho já passei muitas Páscoas. Até perdi a conta. Mas posso lhe dizer que não se fazem mais Páscoas como antigamente. Hoje as pessoas já não dizem bom dia, boa tarde, e quem dirá Feliz Páscoa. Os tempos mudaram. Estamos na era da informática, na era do homem robô. Pensei então: Poxa o Mané anda amargo mesmo. Falo da Páscoa e ele me vem com pedras na mão. ',
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Mas o nosso herói, que não é homem de poucas palavras e que sempre tem argumentos para suas respostas, arrematou: Nos bons tempos, as crianças faziam os ninhos e esperavam ansiosamente os coelhinhos. As famílias se reuniam para fazer as amêndoas. Guardavam as cascas dos ovos para depois pintá-los. Era uma festa. Botavam suas melhores roupas e iam as celebrações nas igrejas. Os bailes de Páscoa eram verdadeiros sucessos. Hoje compra-se os amendoins nos mercados, os ovos são de plástico e poucos vão à igreja. A quaresma ninguém mais respeita, pois os sons repetitivos dos bate-estaca não dão pausa. O baile nem mais existe. Que pena. ',
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Mesmo assim, o Mané me confessou que a Páscoa para ele é um momento mágico. A ressurreição de Cristo mudou o mundo, como então não reverenciá-la. Por isso, eu e a Dica vamos viver os novos tempos. O colesterol, diabetes e outros bichos impedem de saborearmos chocolates e outras guloseimas, mas quando o sino da matriz tocar lá estaremos para rezar pelo mundo melhor. Um mundo com mais amor e menos botõezinhos para os homi apertar. ',
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Mas cá entre nós. Ontem eu cheguei em casa e senti um cheiro de açúcar queimado e amendoim torrado. Era a Dona Encrenca tramando das suas. Tava fazendo amêndoas. Disse ela que era para os nossos netinhos e para criançada da rua. Mas deve de sobrar alguma coisa. Um pouquinho de viagra de pobre nas faz mal a ninguém. A Dica pode até gostar do efeito. Quem sabe uns baguinhos de amendoim não provoquem uma ressurreição.'