Postado dia 23/09/2009 às 00h00 - Atualizado em 15/09/2014 às 18h53

O Lanço de Sardinha

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Lá pela década de 60, o Mané chegou todo faceiro no Sindicato (apelido do bar que ele bate o ponto todos os dias) com quatro balaios chapados de sardinhas fresquinhas. Os freqüentadores do ambiente começaram a coçar os bolsos com objetivo de levar uma dúzia de charutinhos pra casa. O Mané não perdendo tempo foi enchendo o bolso de trocados, muito bem vindos, pois a crise na cozinha da Dica tava braba. Passada a euforia da compra os amigos do Mané começaram a questionar de onde o disgramado tinha arranjado tantas sardinhas. O Mané nem aí pros olhos desconfiados de seus clientes amigos, pois os quatro balaios ficaram vazios.



Não demorou pro Zé Beterraba perguntar como ele tinha conseguido os peixes. Será que ele tinha pescado, ou ganho por ter feito uma descarga de um barco sardinheiro da região. O Mané empolou o peito, e depois de um gole de ki-suco começou a narrar a sua mais nova aventura.



Tava na praia quando vi um barco sardinheiro chegar à praia Alegre. O mestre do barco pediu uma ajudinha na descarga. Me prontifiquei. Depois de um suador e o caminhão ficar cheio de peixes, o danado me deu apenas dois quilos de sardinha, bateu nas minhas costas e ficou por isso, disse o Mané.



Daí o Zé Beterraba teve que perguntar. Se você só ganhou dois quilos de peixe, como é que apareceu aqui com estes balaios de sardinha, indagou.



Pois é rapaze, daí eu perguntei pra onde eles iam com aquele caminhão cheio de peixes. Eles disseram que era pra Itajaí. Daí pensei. Pedi uma carona. Eles disseram que não tinha lugar na cabine. Eu disse que ia na carroceria mesmo juntos com as sardinhas, riu o Mané.



E lá fui eu trepado na carroceria do fordão, que gemia pra subir os barrancos e que inté alguém de bicicleta passaria por ele. Quando chegamos na Santa Lídia pulei do bichão sem ninguém perceber, disse o Mané.



E pra desvendar o mistério o Mané contou que mais tarde se encontrou com o Loro da Etelvina, que avisado por ele foi de carroça seguindo o fordão. Daí foi só juntar as sardinhas que caíram pelo caminho, botar nos balaios que estavam na carroça, explicou nosso herói.



O Zé Beterraba duvidou da história que as sardinhas tinham caído no caminho, mas o Mané garantiu que a trepidação era muita e que boa parte dos peixes ainda estavam vivinhos e por isso saltavam pra fora da carroceria.