Postado dia 30/06/2009 às 00h00 - Atualizado em 15/09/2014 às 18h53

Obra Divina

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Além da fé no Divino Espírito Santo, os descendentes de açorianos, portugueses e madeirenses guardam a maneira de contar os seus causos. Na crônica popular da Festa de Penha, muitos são os registros, mas um deles chama atenção porque mistura a política e a religião.



O Mané da Dica conta que, no final da década de 50, realizaram-se em Penha as primeiras eleições municipais. Surgiram candidatos de todos os bairros e um deles protagonizou uma estória muito engraçada.



Candidato a vereador, no dia da eleição, o devoto do Divino pegou o seu traje, um terno de tergal azul marinho, lustrou os sapatos, passou uma escova no seu tradicional chapéu de feltro, despediu-se da esposa dizendo que ia cabalar alguns votos. Antes, porém, recomendou que ela não se esquecesse de ir votar. E, lá foi ele, fazer uma boca de urna.

No dia seguinte, o devoto candidato foi com alguns amigos e eleitores até o Fórum de Itajaí, para acompanhar as apurações. As urnas iam sendo abertas e ele foi anotando voto a voto. Eis então uma grande surpresa. Na urna que votavam ele e a esposa, apareceu somente um voto. Logo, ele pensou: A danada da minha mulher não votou em mim.



De volta para casa, decepcionado com o resultado, pois não conseguira se eleger e o seu candidato a prefeito também tinha sido derrotado, o devoto cobrou da mulher o fato de não ter votado nele. Como não? Fui votar e levei o teu número escrito na palma da minha mão - disse a esposa – não entendo o resultado das urnas. O casal ficou de mal por longos meses. Ele só falava com ela o necessário.



No ano seguinte, mês de maio, domingo da Festa do Divino. O devoto olha para a esposa, pede o paletó, a calça, lustra os sapatos, passa uma escova no chapéu e vai todo faceiro para a igreja de Penha. Durante a procissão da missa das 10 horas, sem saber por que, ele coloca a mão no bolso interno do paletó e observa que há algo. Seria dinheiro ou algum papel sem valor? Para espanto do devoto, era o seu título de eleitor. Olhou bem e seus olhos então confirmaram o grande engano. O título estava sem carimbo, (naquela época o título era carimbado pra certificar que o leitor tinha cumprido com seu dever de cidadão) portanto, ele mesmo não tinha votado no ano anterior.



Voltou depressa para casa, contou o acontecido e pediu perdão para a esposa. Mais tarde, o casal chegou na igreja matriz de mãos dadas e a paz voltou a reinar entre os dois. Muitos dizem que a reconciliação do casal foi uma obra Divina.