Postado dia 21/07/2016 às 14h55 - Atualizado em 22/07/2016 às 14h02

Secretaria da Agricultura libera comercialização e consumo de moluscos em todo litoral catarinense

Medida também beneficia produtores de Penha, que tiveram enormes prejuízos com maré vermelha

Moluscos de Santa Catarina estão livres da toxina diarréica. Nesta quarta-feira, 20, a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) liberaram a retirada, comercialização e consumo de ostras, mexilhões, vieiras e berbigões da última área de cultivo que permanecia interditada. A partir de agora todas as áreas de cultivo de moluscos bivalves estão desinterditadas e os moluscos podem ser consumidos em segurança.

Este foi o fenômeno de maré vermelha mais longo e mais intenso que já passou pelo litoral de Santa Catarina. Para preservar a saúde pública e evitar a intoxicação alimentar de consumidores de moluscos, a Secretaria da Agricultura e a Cidasc decidiram, no dia 26 de maio, interditar todas as áreas de cultivo do estado. Segundo o secretário adjunto da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, o monitoramento e a interdição do litoral foram a melhor alternativa para beneficiar os consumidores e também preservar a imagem da maricultura catarinense.

Ao longo dos últimos dias, após análises e respeitando os critérios técnicos, as áreas foram gradativamente liberadas. "Comprovamos que os maricultores produzem com qualidade e respeitando todos os critérios técnicos em prol da saúde pública. Felizmente a maré vermelha passou e o Governo do Estado e setor produtivo podem tirar preciosas lições para futuros eventos dessa natureza", destaca o secretário adjunto.

Para fortalecer a maricultura, a Secretaria da Agricultura, Cidasc e setor produtivo constituíram dois grupos de trabalho, que poderão sugerir melhorarias nas normativas e a criação de mecanismos para apoio aos maricultores. "A maré vermelha certamente ocorrerá novamente em algum momento, a maricultura corre esse risco e nós precisamos estabelecer medidas de mitigação de prejuízos, como já acontece com outros setores da agropecuária", afirma Spies.

A toxina diarréica é produzida por algumas espécies de microalgas que vivem na água, chamadas de Dynophysis, e quando acumuladas por organismos filtradores, como ostras e mexilhões, podem causar um quadro de intoxicação nos consumidores. Essa espécie de alga ocorre naturalmente no mar e só causa problemas com o aumento da sua concentração e por isso a sua presença e os níveis de toxina são regularmente monitorados pela Cidasc no litoral. Os últimos episódios de excesso de DSP no estado aconteceram em 2014, 2008 e 2007.