Postado dia 15/10/2016 às 10h46 - Atualizado em 17/10/2016 às 14h24

Professores ACTs protestam contra demissões da prefeitura de Penha

Servidores querem que ministério público garanta contratos

As repercussões das demissões em massa executadas pelo prefeito Evandro Eredes dos Navegantes (PSDB) continuam. Na última sexta-feira, 14, cerca de 40 professores ACTs protestaram com cartazes na frente da secretaria municipal de educação contra o que consideraram revanchismo da atual administração, que estaria se “vingando” dos professores pela derrota esmagadora do candidato governista Júlio César Duarte (DEM) nas urnas.

Pelo menos cerca de 50 % professores da rede municipal de ensino são ACTs, admitidos por contrato temporário – cujo término previsto iria até dezembro, apesar de uma clausula permitir a administração demiti-los no momento em que quisesse, como fez o prefeito Evandro. A reclamação dos professores é que eles tinham planos de aula elaborados, e os alunos correm o risco de ficarem sem aula, ou no máximo com aulas deficientes por substitutos improvisados, que não estão a par do trabalho com os estudantes.

O modo como foram demitidos também revoltou os professores: Na última terça-feira, dia 11, foram simplesmente informados pelas diretores das escolas municipais que seus serviços não eram mais necessários, muitos deles simplesmente através do whatsap ou facebook, sem qualquer explicação maior. Os professores acreditam em revanchismo porque ACTs que tiveram participação na campanha de Júlio não foram demitidos, somente os que não trabalharam na campanha ou fizeram campanha para os adversários.

Na tarde de sexta, os professores se sentaram com representantes do Sindicato dos Servidores Municipais da Foz do Rio Itajaí, onde pediram que a entidade entrasse com denúncia no ministério público contra a prefeitura de Penha. Apesar de já na terça-feira, 12, a Secretaria Municipal de Educação informar que “todas as demissões estão suspensas até segunda ordem”, a iminência de uma possível demissão em massa deixou apreensivos muitos profissionais, alguns inclusive já deixando de ir trabalhar na quinta-feira, pois haviam sido informados pelas diretoras que não precisava mais ir.

Apesar do prefeito Evandro alegar que “cargos comissionados precisam ser demitidos para reorganizar as contas públicas”, e “qualquer que fosse o resultado as demissões aconteceriam normalmente”, a presidente do Sindicato dos Servidores, Eliane Aparecida Correa discorda do argumento pois “professores não são cargos de confiança, já que sua contratação não deve ter critérios políticos”.

O possível indicativo do prefeito que teria contratado esses professores por motivos políticos e não profissionais é um dos alvos da denúncia-crime que os vereadores da oposição Sérgio de Mello e Maria Juraci estão fazendo junto ao ministério público, pedindo a investigação de como estão se dando as demissões em massa na prefeitura de Penha. “O prefeito fala em enxugar a folha, mas nota-se que muitos cargos que não são essenciais, mas são aliados políticos mais próximos do prefeito, continuam na administração, enquanto profissionais necessários da saúde e da educação estão tendo seus contratos de trabalho suspensos, e seu serviço acabará faltando à população”, alertou o vereador Sérgio de Mello.