Postado dia 12/01/2018 às 12h38 - Atualizado em 18/01/2018 às 18h27

Assassino do Índio em Penha é preso em Gaspar

Bandido confessou o crime para a polícia
Fonte: Rádio Aquarela FM

Foi preso na manhã de hoje (12) o suspeito de matar o professor indígena Marcondes Nambla, de 36 anos, espancado em Penha na madrugada do dia 1º de janeiro. Segundo A Polícia Civil, Gilmar César de Lima, de 23 anos, teria confessado o crime após ser localizado na casa da irmã no bairro Gaspar Mirim. A prisão ocorreu por volta das 6h30min depois do cumprimento de sete mandados de busca em residências. Ele foi encontrado ao lado da mulher, da irmã e do filho.

Segundo o delegado, Marcos Ghizoni, ele confessou que realmente matou o índio por uma discussão envolvendo o cachorro dele. Segundo delegado Douglas Teixeira Barroco, responsável pela investigação do caso, o jovem de 22 anos, morava em Gaspar e atualmente estava residindo em Penha, mas teria abandonado a residência após o crime e estava foragido. A Polícia Civil informou que ele será encaminhado ao Presídio Regional de Blumenau

Segundo a polícia, Lima teria antecedentes por crimes como homicídio qualificado, roubo, furto, lesão corporal e receptação. O delegado-geral adjunto da Polícia Civil em Santa Catarina, Marcos Ghizoni, já havia confirmado que “o índio foi morto pelo que chamamos tecnicamente de motivo fútil”.

O delegado Barroco cita que a identificação do suspeito só foi possível através do vídeo de uma câmera de segurança que registrou o momento da agressão, e da ajuda de testemunhas oculares do ocorrido.

Namblá era do povo Laklãnõ-Xokleng, da Terra Indígena Laklãnõ, em José Boiteux e estava pela primeira vez em Penha para vender picolés e complementar a renda. Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que ele foi agredido por um homem que estava com um pedaço de madeira. O indígena foi atingido na cabeça, caiu e continuou a apanhar em seguida.

Professor formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ele ensinava crianças de tribos indígenas na mesma escola onde aprendeu a ler. O próximo objetivo dele era o mestrado. No ano passado, ele se tornou juiz das terras indígenas.

Na quarta-feira (10), cerca de 200 indígenas do grupo Xokleng de José Boiteux participam de um protesto e cerimônia religiosa em Penha contra o assassinato. A cerimônia religiosa, feita na língua dos indígenas, durou cerca de uma hora. Depois da cerimônia, uma lança foi fincada no canteiro em memória de Marcondes e todos seguiram até a casa onde ele estava hospedado temporariamente em Penha, para vender picolés.