Postado dia 10/01/2018 às 18h38 - Atualizado em 12/01/2018 às 13h04

Índios fazem manifestação em Penha e pedem justiça pelo assassinato do professor indígena

O suspeito, apesar de ter mandado de prisão decretado, ainda não foi localizado

Lideranças indígenas da tribo xoclengue se reuniram em Penha, nesta quarta-feira (10), para protestar e pedir justiça no caso do professor indígena Marcondes Namblá, 38, que morreu no dia 2 de janeiro. O movimento foi marcado por homenagens e rituais indígenas.

O líder foi espancado com pauladas na madrugada do dia 1º de janeiro e morreu no hospital no dia seguinte. O suspeito de espancar o professor, apesar de ter mandado de prisão decretado, ainda não foi localizado.

Quatro ônibus com aproximadamente 400 índios de José Boiteux, vieram exclusivamente para a manifestação. Guias espirituais das etnias realizaram um ritual para que a alma de Namblá retorne a aldeia. Além disso, a lança, que era utilizada pelo líder em ensinamentos de caça e pesca, foi colocada no local do crime, como uma espécie de altar.

O professor estava em Penha no final do ano para conseguir uma renda extra vendendo picolés com um grupo de indígenas xoclengues. Na noite anterior ao crime, ele publicou em seu perfil na rede social, que alguém o tinha deixado muito triste e que não seria uma virada de ano feliz. Segundo relatos da família, essa foi a primeira vez que Namblá se ausentou da tribo para conseguir dinheiro.

A Polícia Civil pediu a prisão de Gilmar César de Lima, 22, reconhecido por testemunhas e por uma câmera de segurança que gravou toda a ação. Ele segue foragido e teria justificado às testemunhas que o crime aconteceu porque o professor teria mexido com o cachorro dele. A versão não é aceita pelas lideranças indígenas, que associam a morte ao preconceito e violências gratuitas impostas às comunidades que residem próximo do litoral de Santa Catarina.