Postado dia 04/01/2018 às 19h34 - Atualizado em 10/01/2018 às 18h53

Polícia já tem um suspeito pela morte do índio em Penha

Informações só serão divulgadas após ordem de prisão para não atrapalhar investigações

A Polícia Civil de Balneário Piçarras está investigando a morte do professor indígena Marcondes Nambla, de 36 anos, espancado em Penha na madrugada do dia 1º de janeiro. Segundo o delegado Douglas Teixeira Barroco, responsável pelo caso, o inquérito já foi instaurado e o caso está sendo investigado.

Nesta quarta-feira a polícia ouviu testemunhas do caso e teve acesso ao vídeo que comprova o espancamento e, segundo Barroco, descarta a tese de latrocínio (roubo seguido de morte). O delegado diz também já ter um suspeito pelo crime, mas a princípio não se sabe qual foi a motivação. "Foi uma agressão mesmo, algo brutal, mas a princípio não temos nenhum motivo aparente", disse o delegado.

A câmera de monitoramento de uma loja de material de construção em Penha filmou a agressão, mas as imagens não foram cedidas. O responsável pela câmera relata que nas imagens é possível ver um homem na esquina com um cachorro e um pedaço de madeira na mão. Ele anda de um lado paro outro sem parar até que Marcondes aparece. Eles conversam rapidamente e quando o professor vira de costas o agressor dá uma pancada na cabeça dele com a madeira. Marcondes cai no chão e continua sendo espancado com o pedaço de madeira até o agressor fugir.

De acordo com informações da amiga e parceira de trabalho da vítima, Janaina Hubner, o colega teria ido trabalhar com um grupo no Litoral, para vender picolé. Marcondes havia saído sozinho para caminhar e ver a festa de Réveillon, mas não retornou. No dia seguinte, os companheiros descobriram que ele estava no hospital.

Marcondes fez licenciatura intercultural indígena na Universidade Federal de Santa Catarina. Ela dava aulas em uma escola onde só estudam crianças das aldeias de José Boiteux. A família diz que o objetivo dele era fazer mestrado.